Carta de conjuntura – muito interessante a análise.

Bom dia.

A idéia nossa aqui no blog é, além de trazer esclarecimentos sobre comunicação e técnicas digitais para fomentar seus negócios, incluir outros temas que possam ajudar empreendedores, empresários e profissionais de diversas áreas em suas tarefas e planejamento, sendo assim, postamos esta Carta de conjuntura, pela Prioritas - Consultoria de Gestão, que faz uma análise do momento atual que o país vive:

O êxito está em ter êxito

“Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?” Fernando Pessoa (poeta português)

1. Percepção da crise.
Na carta de outubro comparamos para nossos clientes a cena brasileira com a Teoria do Caos. Entendemos que a dinâmica dos acontecimentos saiu do controle racional e previsível e fomos convidados a perseguir objetivos móveis e incertos na busca de uma posição de equilíbrio futuro. Naquele momento pareceu que nossa perspectiva carregava nas tintas e que o quadro geral ainda poderia apresentar nuances favoráveis. Naquela data ainda não tínhamos em nosso cenário de planejamento eventos como: (a) o desastre ambiental de Mariana, (b) a abertura do pedido de impedimento da presidente, (c) a prisão de um senador em pleno mandato, (d) a prisão de um renomado banqueiro, (e) o shutdown do governo brasileiro, (f) o aumento do ritmo recessivo do PIB brasileiro, entre outros acontecimentos que se materializaram e fazem parte do novo quadro geral.

2. Macroeconomia.
O quadro macroeconômico segue em contínua espiral negativa. O cenário de planejamento no final de novembro indica inflação em alta, demandando de ações de controle de custos, já que não apresenta as características de demanda aquecida. O Banco Central informa que irá aumentar o esforço de controle da inflação e indica a possibilidade de aumento das taxas de juros. Pelo lado do câmbio o cenário é de desvalorização gradual e progressiva do Real. Esta combinação de juros em alta e câmbio desvalorizado pressiona ainda mais a inflação, criando, todavia, as condições básicas para a única saída de médio prazo para a estabilidade da economia brasileira: a exportação.
No gancho da exportação, assistimos a queda de volume das importações. Queda motivada pela recessão, pela retração da produção industrial, pela redução de consumo dos produtos importados finais e pelo encarecimento dos preços dos insumos importados (via desvalorização cambial). Encontramos neste aspecto uma oportunidade de criar um saldo positivo e sustentável na balança comercial.
Desde já, sabemos ser (o saldo comercial) insuficiente para fechar a conta do balanço de pagamentos, sequer para a retomada industrial, mas importante para estabelecer um caminho de recuperação no longo prazo.
Desemprego segue em alta, com o risco de atingir a casa de 10% ainda em 2015 e ultrapassar 12% ainda no 1º semestre de 2016. Os efeitos do desemprego se fazem evidentes. Retração da renda agregada, redução do consumo no varejo, queda na arrecadação das receitas públicas originadas pelos encargos sociais. No final do ciclo, o desemprego realimentando a própria crise que causou o desemprego.
O ajuste fiscal segue interrompido. Aguardando uma pacificação política. Que poderá vir por exaustão dos eventos políticos ou por troca de governo. O fato é que a pacificação virá. Impossível prever o tempo. Igualmente impossível prever os acontecimentos até lá. Também é difícil arriscar prever as condições econômicas que serão suportadas pela sociedade para alcançarmos esta pacificação.

3. Microeconomia.
No campo da microeconomia os indicadores parecem piores do que os indicadores macro. A escalada da deterioração nos diversos segmentos da economia insiste em confirmar o quadro de recessão e realimentar a tendência de baixa. A Mão Invisível (a força auto reguladora dos mercados) não consegue construir um caminho para o equilíbrio. Isto indica que os mercados produtivos, incluindo o mercado de trabalho, estão mais desorganizados que o cenário macroeconômico. A intervenção pública nos mercados via protecionismo, subsídios, políticas de reserva e intervenção nos mercados, regulações ineficientes são alguns dos motivos para esta desorganização microeconômica, que agora torna a ação das empresas e da sociedade mais difícil do que a execução das políticas macroeconômicas.
De uma forma um pouco repetitiva, temos a posição que os diversos mercados e segmentos prenunciam o ponto de equilíbrio em que as empresas, mercados e famílias encontrariam um piso suficientemente seguro para retomar a escalada de crescimento. O desarme econômico patrocinado pelo Governo tem limites físicos e uma vez alcançado este limite, ou a partir deste limite inferior, as empresas dependerão muito mais das suas estratégias individuais do que das ações de Governo.
É de se esperar que os agentes do mercado queiram aguardar que este limite inferior seja alcançado pelo conjunto dos mercados, sem antecipar quaisquer resultados individualmente, para então atuar na retomada dos investimentos e dos negócios. Este tempo, todavia, pode trazer um custo muito elevado para as empresas e para a sociedade. Com certeza trará.
Os exemplos da Argentina em 2002, mais recentemente da Espanha e, no ano passado, da Grécia, ensinam que o custo desta opção de aguardar o tempo político é muito mais elevado do que se pode arcar. Em contrapartida o risco de agir no tempo dos negócios, sem ter a visão certeira do desenlace da crise exige certo fôlego econômico financeiro com o qual poucas empresas podem contar.
A contrapartida (a favor de aguardar o tempo político) é o axioma que não se vence o jogo do mercado apostando contra as tendências do próprio mercado. Correto na maioria absoluta das vezes. Todavia, quanto mais longo o tempo para decidir pelas ações de ajuste, as estratégias de recuperação das empresas serão mais difíceis e complexas. Os próximos 2 ou 3 anos anos prenunciam dificuldades para o setor empresarial muito mais desafiadoras do que os desafios do próprio Governo e das contas públicas.

4. Tamanho dos Mercados
Os indicadores de crise mostram que os mercados diminuíram seu tamanho. O indicador mais usual na mídia atual é a comparação de quantos anos cada segmento da economia voltou atrás. Os relatórios indicam, como regra geral, um recuo, baseado em volumes de produção e vendas, entre 3 a 10 anos para cada um dos segmentos analisados.
Os empresários sabem que esta comparação é limitante no que toca a tomada de decisões, mas é positiva no que se refere a efetivamente redimensionar o tamanho de seu mercado e, por consequência, sua empresa.
Entendemos que esta é a primeira ação para formatar a nova estratégia para o novo mercado brasileiro. Reduzido, mas ainda vigoroso, confiável e sustentável.

5. Estratégia Corporativa.
Ressaltamos nesta edição a importância da disciplina financeira e da estratégia de dominância da gestão do caixa. A consequência da redução dos mercados é a redução das receitas. Esta redução ocorre em uma velocidade maior que o corte dos custos, especialmente os fixos. Note-se que este é o discurso oficial do Governo, onde os mandatários reclamam sobre a impossibilidade de cortar custos diante a redução das receitas.
A escalada da inadimplência, combinada com o aumento dos casos de recuperação judicial, somados com o contingenciamento do crédito público e privado, deixa clara a prioridade que deve ser dada a estratégia de caixa, em relação aos demais elementos da gestão corporativa.
A gestão pelo caixa demanda uma gestão de comunicação igualmente eficiente.
As estratégias de caixa esbarram nas limitações culturais existentes. A disciplina de execução é fator critico de sucesso em todos os casos.
Gestão de caixa guarda diferenças irreconciliáveis entre as empresas e segmentos de negócio. Embora os princípios gerais sejam semelhantes, a gestão do caixa é diferente para cada segmento de negócios e, principalmente, para porte de cada empresa. Pequenas, médias e grandes empresas, cada uma, necessitam de uma abordagem específica, combinando ações apropriadas para seu porte e segmento de negócio. Uma política de gestão de caixa adaptada ao porte e segmento da empresa é também fator crítico de sucesso.
A disciplina financeira deve ser implantada de cima para baixo.
Gestão do capital de giro é parte do processo de geração de caixa. Ações para este objetivo envolvem toda a empresa e demandam energia, decisão rápida e monitoramento em prazos muito curtos.
Enquanto a estratégia corporativa aponta para objetivos mais longos, a ponte entre o agora e os objetivos estratégicos passa pela disciplina financeira. Este conjunto de práticas, quando se transforma em um “guidance” de cultura e gestão, converte a organização em um conjunto consistente de forças estratégicas de mercado. Cabe refletir sobre como transferir a “disciplina financeira” dos quadrantes “ameaça” ou “fraqueza” para o quadrante “força” (ver análise SWOT).
Por isso destacamos na passagem de Fernando Pessoa a importância de agir no momento presente construindo resultados sustentáveis.

Cordialmente
Paulo Roberto Leierer
PRIORITAS Consultoria
PRIORITY Capital Humano
www.prioritas.com.br

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